Artista - Índio Da Cuíca
Título - Malandro 5 Estrelas
Gravadora - QTV Selo
Ano - 2022 (2021)
Formato - LP, vinil simples, transparente
Após dar a volta ao mundo e tocar com artistas como Alcione, Jair Rodrigues e Roberto Carlos, Índio da Cuíca lança Malandro 5 Estrelas, seu primeiro disco solo. Às vésperas de completar 70 anos de idade (no dia 05 de maio de 2021), e contando com mais de 50 anos de carreira, esse multi-instrumentista, cantor, compositor e dançarino, um autêntico showman, esbanja vitalidade e revela ao mundo a expressividade de sua performance, a originalidade de sua música e o carisma de um genuíno malandro suburbano carioca.
Com direção musical e arranjos de Gabriel de Aquino — Grammy Latino de melhor disco com Martinho da Vila em 2016 — e codireção do cuiqueiro e pesquisador Paulinho Bicolor, Malandro 5 Estrelas representa a síntese musical e cultural que Índio reuniu em décadas de experiência com a música, a dança e os palcos.
Multi-instrumentista, executa com maestria inúmeros instrumentos de percussão, além de manejar o violão, o cavaquinho e o piano. Integrou o conjunto Corda K Samba e a banda Brasil Ritmo, com a qual gravou o LP Balança Povo, em 1972, hoje disputado a preço de ouro.
Também como dançarino, integrou companhias artísticas lideradas por Joãozinho Trinta e Haroldo Costa em turnês a diversos locais do Brasil e do exterior — Europa, EUA, Peru, Austrália, Panamá, Indonésia, Marrocos, Zimbábue, Síria, entre outros —, tocando em espaços como Canecão e arrasando no Olympia de Paris. Nesta trajetória, nunca deixou de compor suas canções, algumas das quais presentes em Malandro 5 Estrelas.
Seu repertório é composto por sambas (“A cuíca chora”, “Cuíca Malandra/Cuíca encantada”, “Sonho realizado”), vassi pra Ogum ("Medley de Ogum”), calango (“Stribinaite Camufraite Oraite”), bolero (“Shirley”), capoeira (“Jogo de Malandro”), funk carioca (“Baile do Bambu”) e demais ritmos afro-brasileiros que fazem parte de sua trajetória.
Sua voz nos traz um expressivo timbre médio-agudo, trabalhada com grande sensibilidade rítmica, na melhor tradição do samba sincopado. Malandro 5 Estrelas registra também sua incrível habilidade de dar à cuíca o protagonismo de um instrumento solista, como se pode escutar em faixas como “Stribinaite Camufraite oraite" e “Melódica”.
A música de Índio da Cuíca ganhou outra vida pelas mãos dos arranjos de Aquino e de músicos extraordinários como Alaan Monteiro (cavaquinho, bandolim), o próprio Gabriel de Aquino (violão), Luizinho do Jêje (percussões), Pedrinho Ferreira (percussões), Guto Wirtti (baixo acústico, baixo elétrico) e Luiz Otávio (teclados) — além do próprio Índio, cantando e tocando violão, pandeiro, berimbau, reco-reco, cavaquinho e, é claro, sua cuíca.
Malandro 5 Estrelas registra também a incrível habilidade de Índio em dar à cuíca o protagonismo de um instrumento solista, como se pode escutar em faixas como “Stribinaite Camufraite oraite" e “Melódica”. Instrumento geralmente associado à função rítmica, Índio evidencia a peculiaridade da cuíca enquanto instrumento de vocação melódico-harmônica.
A sonoridade de Malandro 5 Estrelas foi construída tomando como referência a espontaneidade e a experimentação das gravações de samba dos anos 1970 e 1980. Desde o início da produção, seguiu-se a ideia de que os músicos estivessem reunidos em estúdio para tocar juntos, aproveitando o som da sala. Aplicando efeitos de maneira pontual, a mixagem de Renato Godoy aproveita essas características para ampliar o leque de sonoridades do samba contemporâneo.
Vale notar que a programação visual foi toda baseada nos desenhos de Shirley Oliveira, esposa de Índio há 35 anos, e rearranjado na capa pelo trabalho de Lucas Pires e Mariana Mansur.